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Tratamento Espiritual

  Quando falamos de tratamento espiritual, na Casa Espírita, referimo-nos, primordialmente, ao passe.  No Brasil, onde há milhares de instituições espíritas espalhadas por todo o território nacional, podemos ampliar o conceito, porque há tratamentos diversificados, com tipos de passes diferentes, ou diferentes maneiras de se aplicar o passe, e há as sessões de desobsessão, chegando algumas casas a realizar até mesmo cirurgias espirituais, sem o uso de instrumentos materiais.

 

  Em Londres, porém, há uma linha única de trabalho, praticamente, em que se aplica o passe por imposição de mãos, como fazia Jesus, enquanto os trabalhos mais complexos ficam reservados às reuniões mediúnicas internas, que são frequentadas pelos médiuns da própria instituição, sem a participação direta do público.  É o que acontece, por exemplo, no nosso grupo.

  Mas, o que é o passe?  Como surgiu o passe?  O que o envolve?  Qual o papel dos médiuns?  O que fazem os Espíritos?  Como deve se posicionar o assistido?  Onde deve ser ministrado?  O que é necessário para que a cura se realize?  Qual o verdadeiro remédio para as nossas doenças?  Podemos aplicar o passe em nós mesmos, em animais, em roupas?

 

         O PASSE

 

  O passe, conforme ensina Emmanuel, “é uma transfusão de energias psíquicas”, ou ainda “a transmissão de uma força psíquica e espiritual” (O Consolador), que geralmente transita do médium para o assistido (aquele que toma o passe).

 

  Segundo Kardec, em O Livro dos Espíritos, “o fluido vital se transmite de um indivíduo a outro.  Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.” (perg. 70).

  Portanto, trata-se de uma energia fluídica, sutil, derivada do fluido cósmico universal, a matéria elementar primitiva criada por Deus e existente em todo o Universo.  Veja-se que Kardec refere-se ao “fluido vital”, que é um dos produtos do fluido cósmico.

  Quando se está enfermo, quando um problema espiritual nos atinge, ficamos com nossa energia vital num nível abaixo do nosso normal.  Com o passe, esse nível normal é restabelecido e é então que recobramos nosso bom ânimo, a nossa espontaneidade, o nosso nível energético, recobrando assim a nossa saúde, temporariamente abalada.

 

         A ORIGEM  

 

  Herculano Pires lembra-nos que “o passe nasceu nas civilizações da selva, como um elemento da magia selvagem, um rito das crenças primitivas”.

  No entanto, ele mesmo afirma que o passe espírita não é outra coisa senão a imposição das mãos, consoante ensinado e usado por Jesus.

  No Brasil, na primeira metade do século XIX, a aplicação do passe surgiu juntamente com a prática da Homeopatia.

 

         OS ELEMENTOS

 

  Ao nos referirmos ao passe, devemos ter em mente que nele tomam parte, geralmente, os Espíritos, os médiuns e os assistidos (aqueles que vão às Casas Espíritas em busca de alívio para os seus problemas), como sujeitos ativos e passivos da relação.

  Por outro lado, no passe manipulam-se fluidos, tirados dos médiuns passistas, do meio ambiente ou dos Espíritos, os quais são transmitidos aos assistidos através dos médiuns.

 

         OS MÉDIUNS

 

  Os médiuns são os trabalhadores do Cristo que se propõem a doar energias, com amor e desinteressadamente.

  Recomenda-se que tenham o preparo adequado, através do estudo da Doutrina Espírita, e que procedam à sua reforma interior, combatendo suas más tendências e se esforçando em sua própria melhoria.

 

         OS ESPÍRITOS

 

  São os principais personagens no trabalho de passe, porque sem eles não há mediunidade em ação e não se faz a caridade em ação.  Em verdade, há outras práticas de manipulação de energias, sem a participação dos Espíritos, como o magnetismo, o reiki e outras, em que profissionais dessas áreas aplicam a sua própria energia na cura de certas enfermidades.

  Do ponto de vista espírita, porém, os Espíritos é que dirigem o trabalho, manipulam e direcionam as energias envolvidas, funcionando os médiuns como meros instrumentos da tarefa.

 

         OS ASSISTIDOS

 

  Assistidos somos todos nós, Espíritos encarnados, ainda tão imperfeitos e devedores da lei, que retornamos ao plano físico de modo a nos melhorarmos e superarmos as nossas desarmonias internas, que se manifestam muitas vezes na forma de doenças, mais ou menos graves e duradouras.

  Ao se apresentar para o passe, o assistido deve portar-se naturalmente, consciente de que o passe espírita é prece, concentração e doação por parte do médium, e recolhimento e confiança de sua parte.  E tudo o mais fica por conta da Espiritualidade.

 

         LOCAL

 

  O passe espírita deve, geralmente, ser aplicado nas Casas Espíritas, locais devidamente preparados para esse mister.  Fora do ambiente espírita, o passe somente excepcionalmente deve ser ministrado, e desde que haja as condições adequadas para tanto.

  Em verdade, outras instituições não espíritas aplicam formas próprias de passes, como a Igreja Messiânica, a Carismática etc., até porque, como vimos acima, o passe é uma prática muito mais antiga do que essas instituições, com origem nas atividades mágicas do homem pré-histórico, não sendo por isso exclusividade, nem criação, do Espiritismo.

 

         A CURA  

 

  Nem todos aqueles que procuram as Casas Espíritas obtêm a cura dos seus males.  E isso por várias razões:  em primeiro lugar, os Espíritos não podem resolver todos os nossos problemas, mesmo que de natureza espiritual.  Aliás, há enfermidades de cunho cármico e que demandam, geralmente, algumas encarnações para serem erradicadas.

  Em segundo lugar, a cura dos nossos males está subordinada ao binômio merecimento-fé.  Assim, se não tivermos conquistado o merecimento pelo nosso esforço na prática do bem incondicional e permanente, se ainda oscilarmos entre o bem e o mal, dificilmente alcançaremos a cura definitiva das nossas enfermidades.

  Ademais, é preciso que haja uma mudança significativa nos nossos hábitos e comportamentos em geral, para que não venhamos a reincidir em antigos erros, até porque há aqueles que obtêm uma cura momentânea para o seu mal mas continuam com seus mesmos hábitos, vícios e comportamentos equívocos;  nesses casos, é comum ver ressurgir a enfermidade e por vezes em condições ainda mais dolorosas.

 

         O REMÉDIO

 

  Muitas vezes, o remédio para os nossos males são as próprias enfermidades, que auxiliam na depuração e limpeza do nosso corpo espiritual (perispírito), matriz da grande maioria das nossas doenças.  É preciso saber enfrentá-las com paciência e verdadeira resignação.

  Na Casa Espírita, dizemos que o melhor remédio para os nossos males de toda ordem é o Evangelho de Jesus, quando bem assimilado e vivenciado, pois nos leva ao conhecimento de nós mesmos, estimulando-nos à prática indispensável da reforma íntima.  O passe é, na verdade, apenas um complemento, um auxiliar, do processo de cura.

 

         PARTICULARIDADES

 

  O passe é uma transfusão de energias que, no seu sentido verdadeiro, se dá de pessoa para pessoa, de indivíduo para indivíduo, de ser humano para ser humano, com a intervenção dos Espíritos.

  Por isso, não se deve dar passe em animais ou plantas.  Eles têm o seu modo próprio de tratamento.

  Também não se deve dar passes em roupas ou objetos, sob qualquer pretexto. 

  Cabe aqui o ensinamento de Kardec de que “a mediunidade é uma coisa sagrada, que deve ser praticada santamente, religiosamente.  E, se há uma espécie de mediunidade que requer esta condição de maneira ainda mais absoluta, é a mediunidade curadora.”  (E.S.E., cap. XXVI, n. 10).

 

  Por outro lado, não há nenhum inconveniente em se dar passes em crianças ou idosos, salvo em certos casos muito particulares.

  Na aplicação do passe não se deve fazer distinção de sexo, nem determinar que homem só dê passe em homem e mulher, só em mulher.  Deve-se, porém, ter o cuidado de não tocar no corpo do assistido na aplicação do passe.

  As casas espíritas não devem exigir que os médiuns dêem passes, ou trabalhem em qualquer setor da instituição, uniformizados, ou com roupas especiais.  Isso não faz parte da prática espírita.

  Também não se deve fazer uso de cores (ou luzes coloridas) nos tratamentos espirituais, porque, como já visto, a cromoterapia não é uma prática espírita.

  E, por fim, o tratamento espiritual não dispensa o tratamento médico.  Se o assistido já iniciou um tratamento médico, só deverá interrompê-lo por decisão de seu próprio médico, e não da Casa Espírita.