Juízo Final

 

  Os tempos são chegados!  Tempos de transição, tempos de tomada de consciência, tempos de mudança.  Estamos chegando ao fim de um grande ciclo em que já não se suporta mais tamanha hipocrisia dos homens, na tentativa vã de subtrair-se ao julgamento das massas, e até mesmo de Deus.  A ideia de “um julgamento final, único e universal, que coloque fim a toda a humanidade, repugna à razão”, diz Kardec, em A Gênese.  E se o processo de evolução é individual e personalíssimo, o julgamento ‘final’ também o é, já que ele se realiza naturalmente no recinto privado da consciência de cada um.  Mas, de antemão, os Espíritos faltosos vão sendo desmascarados e expostos à opinião pública de todos os rincões planetários.

  E eles vão desfilando lentamente aos olhos das populações.  São os falsos profetas da atualidade, que prometem aquilo que sabem que não poderão cumprir.  São os sepulcros caiados, que se revestem de boa aparência para iludir os simples e ingênuos, mas por dentro trazem muita podridão.  Pertencem a uma raça de víboras, sempre prontas a atacar os recursos públicos para “garantir” o seu futuro e o dos seus.  São verdadeiros lobos em pele de cordeiro, usando a palavra melíflua e carregada de segundas intenções para atingir os objetivos mais sórdidos e inconfessáveis, em detrimento de outros que carregam o fardo da pobreza, do desemprego, da privação de uma educação eficiente, da falta de uma mentalidade política formadora de opinião.

  Essa geração incrédula e perversa, para usar mais uma expressão enfática do Mestre de Nazaré, chegou à hora da verdade, quando seus atos revelam uma absoluta falta de ética, de consciência cívica e de valores mais elevados para a vida em sociedade.  Dela, não restará pedra sobre pedra, pois é a hora da grande mudança, que “não pode realizar-se sem comoção; há a luta inevitável entre as ideias. De tal conflito nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno haja sido desobstruído e o equilíbrio restabelecido.”  Dessa luta surgirá a luz de um mundo novo, emergindo das entranhas da Humanidade.  Para tanto, uma nova geração de Espíritos vai se apresentando, dia-a-dia, em todas as partes do orbe e em todas as áreas da ação humana.  Esses Espíritos são de Deus, segundo a metáfora joanina.

  Por isso, a nova ordem social vem alicerçada na igualdade, liberdade e fraternidade dos anseios revolucionários do passado.  É todo um admirável mundo novo que vai se levantando dos escombros de uma humanidade carcomida por hábitos milenares que já não podem mais esconder-se atrás da cortina da impunidade e do escárnio.

 

  E se a felicidade não é deste mundo, como ensinava Jesus, “unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra pondo um freio às más paixões;  unicamente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a fraternidade”, e dele já se vai levantando a ponta do véu pela ação de Espíritos honrados, neste momento encarnados na Terra e participando desse processo de transição para dar exemplos de coragem, destemor e elevação de caráter, começando a desfazer aquela imagem clássica de que “os bons são tímidos” pois são verdadeiros paladinos da verdade e da justiça, resgatando os verdadeiros valores da ética e da paz social.  Não são Espíritos puros ainda, mas já atingiram a maturidade do senso moral.

  Por isso, ao mesmo tempo em que “a geração que desaparece levará com ela seus preconceitos e seus erros;  a geração que se eleva, embebida numa fonte mais purificada, imbuída de ideias mais sadias, imprimirá ao mundo o movimento ascensional no sentido do progresso moral, que deve assinalar a nova fase da humanidade”.  É bem verdade que a transformação total não se dará num passe de mágica, pois Deus não faz milagres nem age por decreto, mas percorrerá o tempo necessário para se consolidar, de tal sorte que algum mal ainda restará por um certo tempo.  Mas já não será tão abrangente quanto tem sido até aqui, e terá mesmo mais a ver com as práticas do indivíduo contra ele mesmo, e não tanto contra uma comunidade, uma população inteira ou contra a própria humanidade como um todo.  A renovação se dará então, com mais propriedade, quando os homens apresentarem melhores disposições e demonstrarem que já praticam o amor ao próximo, como ensinava Jesus.

  Para encerrar, é interessante olhar-se para a letra da música de Nelson Cavaquinho, “Juízo Final”, uma verdadeira profecia, que principia pelos versos:  “O Sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações; do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente”...  Assim seja!

É Natal!

 

  Chegamos a mais um mês de dezembro, em pleno século XXI, e em poucos dias estaremos celebrando mais um Natal, festividade cristã enraizada numa tradição pagã da Roma Antiga, escolhida para marcar o nascimento de Jesus na Terra, na Palestina dominada pelo Império Romano, há 2.015 anos.  Na verdade, ninguém sabe a data exata do seu nascimento, até porque não há registro a respeito.  Naquela época não havia o cartório nem a casa paroquial para se lançar em livro o fato do nascimento de uma pessoa.  É curioso notar, porém, que várias coisas relacionadas a Jesus carecem de prova material.  E isso continua sendo motivo de especulação até hoje e uma razão muito forte para se vender livros.  É que o homem continua mais interessado em tirar proveito material do tema do que voltar-se para a sua essência espiritual.

  Hoje, quando o planeta passa talvez pela mais importante fase de transição das muitas que já existiram, e como nós sabemos está subindo um degrau na escala dos mundos, vemos que a essência dos ensinos de Jesus continua sendo “matéria decorativa” para a maioria dos cristãos, para não dizer dos seguidores de outras religiões, que em certas partes do orbe ainda preferem a guerra, a violência, o revide, o viés materialista, ao invés da moral do Cristo, que é o que há de mais elevado no mundo em termos de valores ético-afetivos. E está claro nos Evangelhos que ele enfatizou a necessidade de amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, de só fazermos ao outro o que gostaríamos que o outro nos fizesse, de não revidarmos o mal, etc.

  Dessa forma, estando às portas de mais um Natal, cabe-nos antes de mais nada refletirmos sobre o nosso papel neste mundo, em que encarnamos neste período histórico da mais elevada importância para a construção do nosso futuro, ou seja, como estamos nos conduzindo, o que estamos produzindo, o que vamos deixar de herança para os nossos sucessores, afinal.  Será que já conquistamos a paz da consciência?  Será que já estamos respeitando uns aos outros?  Será que já estamos nos respeitando?  Será que já estamos fazendo ao outro somente aquilo que desejaríamos nos fosse feito?  Enfim, as reflexões são muitas, mas como estarão nossas respostas?

  É hora, porém, de desejarmos um Feliz Natal a todos, um Natal de Paz, um Natal com Amor, um Natal com Jesus, e um Ano Novo repleto de alegrias e de significativas realizações.  E principalmente que não nos esqueçamos do aniversariante durante as nossas celebrações, o qual certamente não nasceu nessa data, mas que merece ter ao menos uma data para que jamais nos esqueçamos da sua passagem por este mundo.

  Que a doce paz do nosso Divino Mestre viceje no coração de cada ser humano, seja ele de que cultura for, de que parte do mundo for e a qual religião pertença, pois as religiões não devem servir de instrumento para separar os homens, mas sim para aproximá-los ainda mais, cumprindo a vontade de Deus.

          Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade entre os homens!

 

Festa de Natal

(Sociedade Espírita de Tours, 24 de dezembro de 1862, médium Sr. N.)

 

  É a noite em que, no mundo cristão, se festeja a Natividade do Menino Jesus.  Mas vós, meus irmãos, deveis também alegrar-vos e festejar o nascimento da nova doutrina espírita.  Vê-la-eis crescer com a criança;  ela virá, como ele, esclarecer os homens e lhes mostrar o caminho que devem percorrer.  Em breve, verei os reis, como os magos, vir também a esta doutrina pedir o socorro que não encontram nas ideias antigas.  Não vos trarão incenso e mirra, mas prosternar-se-ão de coração ante as ideias novas do Espiritismo.  Já não vedes brilhar a estrela que os deve guiar?  Coragem, pois, meus irmãos.  Coragem e em breve, com o mundo inteiro, podereis celebrar a grande festa da regeneração da humanidade.

  Meus irmãos, durante muito tempo encerrastes no coração o germe desta doutrina.  Eis, porém, que hoje ele surge em plena luz com o apoio de um tutor solidamente plantado e que não deixará que verguem os galhos tenros.  Com esse sustentáculo providencial, crescerá dia a dia e tornar-se-á a árvore da criação divina.  Dessa árvore colhereis frutos dos quais não conservareis a exclusividade para vós, mas para os vossos irmãos que tiverem fome e sede da fé sagrada.  Oh! Então apresentai-lhes esse fruto e gritai-lhes do fundo do coração:  “Vinde, vinde partilhar conosco o que alimenta o nosso espírito e alivia as nossas dores físicas e morais.”

  Mas não esqueçais, meus irmãos, que Deus vos fez fermentar o primeiro germe;  que esse germe cresceu e já se tornou uma árvore capaz de dar o seu fruto.  Resta-vos algo a utilizar: são os galhos que podereis transplantar.  Mas, antes, vede se o terreno, ao qual confiais esse germe, não oculta sob sua camada aparente algum verme roedor, que poderia devorar aquilo que vos confiou o Mestre.

São Luis (Revista Espírita, Abril, 1863)

 

Um novo ano

3 De Janeiro de  2016 / Herlon Cesar

 

  Na manhã do dia 31 de dezembro, abri a van com a qual estou trabalhando pra verificar se não tinha nenhuma bomba lá dentro. Deixo-a sozinha a noite toda e havia rumores de ameaças de bombas no Réveillon, alguém poderia ter colocado algum explosivo sem que eu percebesse.

  Depois que não encontrei nada, comecei a pensar que os terroristas agem de forma diferente e tentei imaginar como eles trabalham, com suas mentes criminosas. Essa “viagem terrorista” em minha mente durou apenas alguns minutos, porque logo me veio a ideia de não viver tanto esse terror. Tomar certos cuidados, sim; porém, já tenho muitos medos, e não precisava de mais um.

Temos medo de não ter dinheiro suficiente, medo de adoecer, medo de perder os entes queridos, de não ser aceito pelos amigos e familiares, medo dos políticos, terroristas, policiais, bandidos, medo de envelhecer e, acreditem, já tive medo por ser muito jovem. Apesar de todos os medos que temos, ou soubemos de alguém que já passou por isso, a vida continuou seguindo como sempre, e muitas vezes melhor do que antes.

  Depois de epidemias de certas doenças, foi encontrada a vacina e até mesmo a cura. Depois de guerras, veio a paz. Depois da barbárie, a civilidade. Ou seja, o progresso sempre existindo em nossas vidas.

  Guerras e maldades que muitas vezes não fazem sentido. Alguém está lucrando com isso porque, no momento em que não houver lucro pra ninguém, em que for prejudicial a todos, estudarão e chegarão a um fim pra isso.

  Que trabalhemos contra o mal sim, mas o mal que existe dentro de cada um de nós, pois, quando todos vivermos o amor, como Jesus nos ensinou, saberemos que não existirá espaço pra maldade.

Enquanto estivermos transferindo essas responsabilidades que nos cabem, fazendo essas mudanças internas necessárias e que são de extrema urgência, não veremos o progresso moral tão esperado por todos. Continuaremos somente apontando os erros dos outros e não melhorando nada em nós mesmos.

  Que esse novo ano seja de crescimento e sucesso, não só financeiro e de saúde, como diz a canção (“com muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”), mas também crescimento moral. Que nosso amor tenha dimensões além dos nossos lares. Que nosso amor, depois de beneficiar todos os nossos familiares, passe pelo bairro onde moramos atingindo nossos vizinhos. Que nossos pensamentos ligados ao bem percorram as cidades e países, desejando a todos os melhores sentimentos de paz e amor, criando assim uma atmosfera de tranquilidade, como se o perfume de rosas viesse em nossas narinas, deixando-nos felizes e envolvidos em luz.

  Que possamos transmitir nosso amor a todos os que necessitam. Que, ao agradecermos por nossas riquezas, também estimemos que nossos semelhantes as tenham, e que Jesus nos abençoe e nos dê força, nesse desenvolvimento moral que tanto procuramos, hoje, amanhã e sempre.

Muita paz a todos.

(copiado de outra fonte)

O (des)temor da morte

 

20/12/2015

  O número cada vez maior de suicídios e eutanásias praticados no mundo hoje em dia, mostram que as religiões tradicionais falharam em suas pregações ao longo dos séculos, ora apresentando um quadro de desesperança para a maioria dos seus seguidores, criaturas ainda extremamente imperfeitas, cheias de culpas e maus comportamentos;  ora alimentando a ilusão das bem-aventuranças como consequência da prática de atos flagrantemente atentatórios aos princípios da lei divina.  Ignorando ser o homem um Espírito encarnado, que ao retornar ao mundo espiritual se vê inexoravelmente diante da realidade indisfarçável, muito diferente daquela que lhes foi transmitida pela sua religião, e, descrente, uma vez na carne novamente, passa a considerar a vida sem sentido e a morte, sem consequências.

  O jornal francês Le Figaro, de 02 de novembro de 2007, do dia de finados, portanto, publicou um pequeno artigo intitulado “Avez-vous peur de la mort?” (Você tem medo da morte?).  Como resultado de uma enquete realizada com os seus leitores, 54% deles disseram não ter medo da morte, enquanto 46% responderam afirmativamente à pergunta do jornal.  Ainda assim, o jornal dizia que os primeiros (54%) apresentavam todos os componentes do estoicismo.  “Não se pode temer o que é inelutável”, disse um leitor-internauta;  já outro, com ares de mais consciente da realidade, disse: “Temer a morte, é temer a si mesmo. Deve-se morrer para renascer.”  Um terceiro, lembrou Victor Hugo:  “Je sais que la tombeau qui, sur les morts se ferme, ouvre le firmament...” Todavia, alguns não temem a morte, mas sim alguns aspectos indesejáveis da própria existência.  Para estes, morrer não é nada; o que lhes é insuportável mesmo é a idéia da degradação, da decrepitude e da dor.

 

  Isto vem bem a propósito, quando uma onda de suicídios e de morte por eutanásia varre a Europa, numa tendência crescente e preocupante.  Por um lado, as pessoas parecem não temer mais a morte, entregando-se em seus braços sem cerimônias.  Por outro lado, as doenças sem cura, o medo da solidão e a própria cultura materialista fazem algumas pessoas preferirem a morte a um fim de vida “sem significado, inútil”, conforme dizem.

  No dia 14 de julho de 2010, o jornal londrino Evening Standard noticiou a morte de um casal importante na sociedade britânica, ele, considerado um dos mais extraordinários maestros britânicos de todos os tempos, e ela, sua assistente, ex-bailarina, coreógrafa e produtora de TV.  Ele, de 85 anos, estava quase cego e perdendo gradualmente a audição;  ela, de 74 anos, sofria de um câncer terminal.  Depois de 54 anos de vida conjugal, ele decidiu que não poderia viver sem ela, e então procuraram a clínica suíça Dignitas, de Zurich, para a prática da eutanásia, ou suicídio assistido como querem alguns, ingerindo overdoses de barbitúricos que puseram fim às suas existências terrenas.

  Embora a atuação dessa clínica venha gerando controvérsias, o fato é que pelo menos 115 cidadãos britânicos já usaram os seus serviços com a mesma finalidade.  Assim também, segundo se sabe, cidadãos alemães, franceses, holandeses etc., e mesmo cidadãos suíços, desesperançados, por várias razões, têm posto fim às suas existências, conscientemente, pagando por isso, mas entendendo que é a única atitude digna que lhes resta diante do próprio destino.  Por outro lado, um radialista da rede BBC de rádio, está em campanha para que os legisladores britànicos aprovem uma lei que permita que a eutanásia seja praticada aqui mesmo em Londres, para que os ingleses não precisem deixar o seu país.  Seu próprio pai contraiu demência na última década de vida e “poderia ter sido poupado do sofrimento por que passou se contasse com o recurso da eutanásia legal”, conforme ele declarou ao jornal The Sunday Times de março último.

  Ora, a Dra. Elisabeth Kubler-Ross, em uma de suas obras, chamada “Sobre a Morte e o Morrer”, citada por Francisco Cajazeiras, em “Eutanásia (enfoque espírita)”, ensina:  “”Aprendemos que a morte em si não é um problema para o paciente, mas o medo de morrer nasce do sentimento de desesperança, de desamparo e de isolamento que a acompanha.”.  É o que se depreende, de fato, dos últimos casos noticiados na imprensa londrina.  E é curioso notar que em uma outra de suas obras, “O Túnel e a Luz”, relata o processo por que passou sua mãe, vítima de um AVC, e a forma como ela lidou com a problemática:  “Agora, se eu tivesse dado uma overdose à minha mãe, ela teria tido que voltar, teria tido que começar do zero e aprender a receber.  Talvez ela tivesse tido que nascer com uma espinha bífida ou nascer paralisada, incontinenti, ou algo assim...”  E ela confessa:  “Pessoalmente, sou 150% contra a eutanásia, pois não sabemos porque as pessoas têm que passar por aquela determinada lição.”  Como se vê, palavras de grande sabedoria.

  Infelizes daqueles, pois, que optam pela chamada “boa morte”, o que significa a morte serena, suave, sem dor, na concepção puramente humana.  Fazem-no por absoluta ignorância dos desígnios da Providência Divina e das leis naturais.  Desconhecem que, buscando essa “saída digna” para as suas vidas, arrastarão o desapontamento e o prosseguimento do seu quadro de dor na vida espiritual.  “... guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja em apenas um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro”, diz-nos o Espírito São Luís, em magistral ensinamento (ESE, cap. V, n. 28).

 

Vestibular da Unesp cita Livro dos Espíritos

 

  Os vestibulandos da Unesp (Conhecimentos Específicos) depararam-se, no último domingo (15/12/2015), com uma questão no mínimo surpreendente. O enunciado trazia dois textos para explicar as capacidades morais e intelectuais do homem — o conceito filosófico do inatismo –, especialmente as habilidades no campo da Música. Um dos textos vinha de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. O outro fora extraído de um artigo da revista Superinteressante, assinado por Nelson Jobim.

  O que explicaria o virtuosismo de alguns indivíduos?

  Antes de mais nada, cabe destacar aqui a atualidade do pensamento espírita, capaz de confrontar a Ciência Oficial e apresentar resposta para questões complexas. A resposta dos Espíritos, com adaptações ao texto original, foi apresentada assim ao vestibulando:

  “Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as capacidades que lhe são próprias; ora, não são os órgãos que produzem as capacidades, mas as capacidades que conduzem ao desenvolvimento dos órgãos. O Espírito, se encarnando, traz certas predisposições, admitindo-se, para cada uma, um órgão correspondente no cérebro. O desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as capacidades se originassem nesses órgãos, o homem seria uma máquina sem livre-arbítrio e sem responsabilidade dos seus atos. Seria preciso admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais”.

  Contrapondo a visão espírita, o examinador apresentou o artigo na Supeinteressante (“Um dom de Gênio”, maio de 2015), em que o autor cita pesquisa do neurologista alemão, Helmut Steinmetz, pesquisador da Universidade Henrich Heine, de Düsseldorf, que comparou cérebros de um grupo de 30 músicos com os de outros 30 que não se dedicavam à arte musical. Na conclusão do cientista, o virtuosismo dos primeiros explicar-se-ia por um acentuado desenvolvimento do lobo temporal esquerdo (região do córtex cerebral onde são processados os sinais sonoros). “Nos músicos, esse tamanho pode ser duas vezes maior”, diz o texto.

 

  Resolução do Colégio Objetivo.

  Interessante notar também a resposta preparada pelos professores do Objetivo: “No texto de Kardec, codificador do Espiritismo, religião amplamente professada no Brasil, o Universo é visto como constituído de matéria e espírito. Essa concepção tem ressonância no pensamento de Platão e Descartes, considerados também pensadores dualistas. Assim, o corpo material é plasmado pelo Espirito que o encarna. A alma, entendida por Kardec como o espírito encarnado, é o portador de uma bagagem cultural e moral de existências passadas. conceito semelhante ao inatismo cartesiano e platônico, em que a razão humana é portadora e produtora de conhecimento humano.”

  No artigo de Nelson Jobim, extraído da revista Superinteressante, a genialidade humana surge como produto de determinação biológica. “Tal concepção se aproximaria mais dos empiristas, para quem toda inteligência nasce como tábula rasa, e nesse caso poderíamos admitir que a genialidade resultaria do acaso. O que, na crítica de Kardec, ‘os maiores gênios, sábios, poetas e artistas não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais'.

  Como terão reagido os vestibulandos frente a essa questão? Na verdade, essa não foi a única a questionar temas filosóficos. O pensamento atualíssimo de Voltaire, o grande mestre do Iluminismo, também foi tema da questão que abordou, de forma implícita, as lutas étnicas e a ação de grupos extremistas. No texto de Voltaire, o pensador apresenta Deus não como uma divindade de um povo, de uma raça ou de uma nação, mas como o criador do Universo e pai de todos os homens. Uma visão, com certeza, coerente e compatível com o ensino trazido pelo Espiritismo.

Que os estudantes tenham tido um bom desempenho na prova. E levem para os bancos universitários o desejo de estudar mais a Doutrina Consoladora, que, com muita razão, foi considerado por alguns como uma faculdade que reúne todos os ramos do conhecimento humano.

Victor Hugo e o Espiritismo

ARTIGO PUBLICADO EM  07/08/2015

 

  O jornal francês Libération publicou, há tempos, matéria relativa ao envolvimento do grande gênio literário da França com o espiritismo, enfocando os fenômenos de mesas girantes ocorridos na ilha de Jersey, no Canal da Mancha, quando do exílio do extraordinário escritor.  Os fenômenos começaram quando chegou à ilha a Sra. Delphine de Girardin, “ancienne muse de la Patrie”, trazendo do continente a novidade, que já era moda nos salões chiques de Paris.  “Teria o grande Hugo enlouquecido, aos 52 anos de idade?  A atmosfera viva do aequipélado anglo-normando teria provocado nele um delírio teológico?”, pergunta o articulista, ao tomar conhecimento do Livre des Tables, publicado em 1923, muito tempo após a morte de Hugo, e onde ele descreve parte do ocorrido em Jersey.

  A análise publicada pelo prestigioso diário francês mostra como o ser humano continua cético e distante das coisas do espírito.  O fato descrito no artigo jornalístico é de conhecimento público, consta de todas as biografias hugonianas e não tem absolutamente nada de extraordinário.  O fenômeno das mesas girantes, ou mesas falantes, ou mesas comunicantes, como se queira dizer, era muito comum nos anos 50 do século XIX.  E foi através dele que o Codificador, Allan Kardec, foi levado ao estudo das manifestações dos Espíritos e à elaboração das cinco obras básicas do Espiritismo, além da Revista Espírita e outros textos deixados por ele ao desencarnar.

  Igualmente, o encontro do Grande poeta e escritor francês com a Sra. Delphine de Girardin vem descrito por J. Malgras, em Os Pioneiros do Espiritismo, que reproduz parte das sessões mediúnicas realizadas na ilha de Jersey.  Ela foi uma escritora de renome, no cenário cultural francês do séc. XIX, e seu salão era frequentado por grandes estrelas literárias, como Théophile Gautier, Honoré de Balzac, George Sand, Alexandre Dumas, pai, Alfred de Musset, Alphonse de Lamartine e o próprio Victor Hugo, entre outros, além do compositor de música erudita Franz Liszt.  Ela chegou a Jersey no ano de 1853 e ali ficou por uns poucos dias, o suficiente para iniciar Victor Hugo no contato com a espiritualidade e permitir-lhe comunicar-se com o Espírito Léopoldine, filha muito amada do escritor, desencarnada em 1843 juntamente com seu marido, num naufrágio.

  O grande literato e poeta, dramaturgo e homem público, acadêmico e intelectual, que escreveu dezenas de obras, entre elas Les Misérables e Notre-Dame de Paris, é considerado um dos maiores gênios da literatura francesa de todos os tempos.  Era reconhecido e admirado pelo povo francês e seu funeral foi seguido pelas ruas de Paris por mais de dois milhões de pessoas.  Eis o porquê do inconformismo do articulista do Libération, que ignora, certamente, que os outros grandes ícones da literatura francesa, que frequentavam o salão da Sra. de Girardin, acima citados, tinham lá também sua intimidade com os Espíritos.  E o que dizer dos eminentes homens de ciência, como Gabriel Delanne, Camille Flammarion, Charles Richet e Gustave Geley? Como entender o interesse do Coronel Albert de Rochas pelos fenômenos paranormais e pelo Espiritismo?

 

  Enfim, que mal há em ser médium, ou comunicar-se com os Espíritos, se isso é a coisa mais natural de todas as culturas do mundo, em todas as épocas.  Sabe, acaso, o articulista que o Codificador da doutrina foi um grande pedagogo, discípulo de Pestalozzi, e que o Espiritismo nasceu e floresceu justamente na capital cultural do mundo, a sua Paris, em meados do séc. XIX?  Sabe ele que o movimento espírita colocou figuras muito ilustres da sociedade parisiense da época em torno daquela mesma espécie de mesa?  Certamente não!  Daí sua crítica acerba, seu inconformismo, sua ignorância...

 

  Esse procedimento, porém, não é um privilégio da imprensa francesa, que trata assim com desprezo e preconceito um dos maiores vultos da literatura mundial.  O jornal cearense “A República”, que circulou no dia 13 de abril de 1900, assim se referiu em face da morte de um dos mais proeminentes filhos da terra, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, que desencarnara dois dias antes, no Rio de Janeiro, sendo uma figura de grande destaque no cenário nacional:

  “...  Espírito lúcido, com a melhor educação acadêmica, todavia, não deixou de ter as suas quedas.  Da escola ultramontana, em princípio, foi descendo na escala das crendices humanas, até declarar-se espírita, nos últimos dias da sua existência, já materialmente

enfraquecida pelos insultos da idade, logo intelectualmente decaída.”

  Naqueles tempos, de fato, o Espiritismo era visto como uma doutrina do demônio, prática de ignorantes, crença desprezível e genericamente enquadrada como crime pelo Código Penal da República.  Além do que, a Doutrina ainda não tinha conquistado o respeito de toda a nação e de todos os segmentos da sociedade brasileira, como acontece hoje em dia.  O forte poder da Igreja Católica daqueles tempos provocava reações apaixonadas de uma grande fatia da população do país, e influia decisivamente na imprensa nacional.

  Por isso, acreditava-se que o Espiritismo, a par de “ser” uma prática proibida por Moisés, há mais de 3.000 anos (Dt 18:10-11), era capaz de produzir a loucura nos praticantes da mediunidade.  Todavia, o próprio Kardec esclarece que a loucura advém mais de uma tendência que o indivíduo traz consigo e menos de qualquer crença a que se dedique o médium:

  “Não produziria mais do que qualquer outra coisa, quando a fraqueza do cérebro não oferecer predisposição para isso.  A mediunidade não produzirá a loucura, se esta não existir em germe.”  (L.M., item 221, p. 5)

 

  A verdade é que o preconceito contra o Espiritismo já foi muito mais acentuado do que o é na atualidade.  Que o diga Sir William Crookes, ele mesmo um cético que resolveu estudar o fenômeno mediúnico para provar que era uma fraude.  Cientista britânico de primeira linha, porém, acabou por converter-se à Doutrina, após exaustivas experiências e estudos.  A sociedade científica do Reino Unido, após a declaração pública do grande expoente da química e da física da época, cogitou que deveria cancelar sua filiação à Royal Society, o que não se verificou.

  Muitos anos após o incidente, numa entrevista à The International Psychic Gazette, o laureado cientista, descobridor do elemento químico tálio, declararia:  “Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas ideias a respeito.  Estou perfeitamente satisfeito com o que eu disse nos primeiros dias.  É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecida entre este mundo e o outro.”  Talvez por essa razão nunca tenha sido agraciado com o Prêmio da Fundação Nobel, de Estocolmo, o que certamente ainda mais o engrandeceu como Espírito.

  Por razões semelhantes, outras figuras notáveis do mundo das ciências terrenas, como Alfred Russel Wallace, naturalista, geógrafo, biólogo e antropólogo, Oliver Joseph Lodge, físico e escritor, Lord Rayleigh, matemático e físico, todos britânicos, e o norte-americano William James, psicólogo, filósofo e com formação em medicina, foram bafejados pelo preconceito dos seus pares, a despeito de suas grandes produções no âmbito científico.

  Albert Einstein teria dito certa vez que é mais fácil dividir um átomo do que quebrar um preconceito.  Ele mesmo, por sua religiosidade e visão racional de Deus, é tido como um místico, assim como Carl Gustav Jung e muitos outros.  O grande cientista alemão, porém, disse certa vez que “no campo daqueles que procuram a verdade, não existe nenhuma autoridade humana.  Todo aquele que se fizer de magistrado encontrará imediatamente a risada dos deuses.”  Sábias palavras, pois o próprio Mestre Jesus foi claro ao dizer:  “Não julgueis para não serdes julgados;  porque com a mesma medida com que julgardes sereis julgados”...  (Mt 7:1).  “Magister dixit!”

 

Escolha reencarnatória

Artigo publicado em 06/09/2015

 

  Deu em um blog do Yahoo espanhol, em setembro de 2014, uma notícia no mínimo curiosa a respeito da reencarnação de um líder religioso mundial, que é, nada mais nada menos, do que o Dalái Lama, dirigente máximo do budismo tibetano, atualmente no exílio, no nordeste da India,  devido ao conflito surgido há décadas pela invasão do Tibet pelo exército chinês, já que o governo chinês reivindica a anexação do território tibetano à extensão do seu próprio território, numa luta de séculos que nunca teve ainda vencedores nem vencidos, oficialmente reconhecidos.

  Contudo, o que mais chama a atenção no momento é a declaração atribuída ao Dalái Lama, Tenzin Gyatso, que completou 80 anos de idade há quinze dias, e que é o líder budista do Tibet desde quando tinha 2 anos de idade, de acordo com a tradição tibetana de escolher o sucessor do seu líder espiritual.  Ele teria declarado que não deseja mais reencarnar após a sua morte, contrariando assim uma tradição de vários séculos.  Então, nos perguntamos:  a reencarnação é uma simples escolha do Espírito, ou é uma determinação natural da lei divina?  Podemos nos negar a reencarnar quando estamos na Erraticidade?  Ao fazer uma declaração dessa índole, estamos apenas manifestando uma vontade legítima, ou uma falta de conhecimento acerca da dinâmica da criação divina e do processo de evolução do Espírito?

 

  Em primeiro lugar, deve nos causar uma certa estranheza o fato da declaração partir de um líder religioso, cuja crença na reencarnação é parte essencial das tradições do seu povo.  Em segundo lugar, essa declaração leva-nos a pensar que o seu descontentamento com as coisas deste mundo não é muito comum em homens como ele.  O que é que os Espíritos nos ensinam a respeito?

  A questão 171 de O Livro dos Espíritos nos fala que o princípio da reencarnação se funda sobre a justiça de Deus e a revelação, que nos mostra a sua lógica por sermos nós Espíritos encarnados de condição moral inferior e artífices da nossa própria infelicidade e da infelicidade alheia.  Então, precisamos reencarnar para nos reajustarmos com as leis da vida e prosseguir na condição do nosso processo de aperfeiçoamento.

  Ademais, eles nos dizem que é necessário que renasçamos muitas vezes para poder avançar e atingir o fim último para o qual fomos criados (p. 993 c/c. p. 330a.), já que todos, inclusive os líderes religiosos, se tornarão perfeitos (p. 116).  Enfim, o princípio da reencarnação tem suas raízes na própria Natureza (p. 613) e pouco importa se o Espírito recua diante da reencarnação ou retarda o seu momento (p. 332), pois chegará um momento em que não poderá resisti-la.  Chegará um tempo, porém, em que não estaremos mais sujeitos à reencarnação;  então, teremos chegado ao topo da escala espírita e seremos Espíritos Puros (q. 113).  Ainda assim, por exceção, poderemos encarnar para cumprir uma missão (q. 111), como fez Jesus há 2.000 anos...

 

O Temor da morte

Artigo publicado em 08/09/2015

 

  Deu no Metro de Londres, no dia 24/08, que a cantora cossovar Rita Ora, famosa internacionalmente, declarou ter pavor da morte, razão pela qual frequenta sessões regulares de psicoterapia para tentar superar o problema que traz desde a sua infância.  “A morte é a minha maior fobia”, afirmou.  Quando menina tinha constantes ataques de pânico e dizia à sua mãe:  “Mamãe, eu não quero morrer.”  E até hoje participa de sessões terapêuticas no afã de vencer definitivamente o medo da morte.

  No livro O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo, Primeira Parte, cap. II, os Espíritos, através do Mestre Allan Kardec, nos ensinam que o temor da morte “é um efeito da sabedoria da Providência e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os viventes.”  A existência do Espírito é regida por leis, entre as quais encontra-se a lei de conservação.  Em muitas de nossas ações, atitudes, comportamentos, percepções, cuidados essa lei é acionada e os nossos cinco sentidos são postos em serviço para nos salvaguardar contra os perigos da existência no mundo material, repleto de perigos, riscos, desafios e lutas.

  Mas, se o medo da morte é um sentimento natural, decorrente de uma lei natural também, o terror da morte, esse grande medo ou pavor, gerando o pânico, é a sua antítese, geralmente provocado ou por reminiscências de experiências traumáticas vividas em passadas existências gravadas em nosso inconsciente, ou por absoluta ignorância acerca da realidade do Espírito e da continuidade da vida em outra dimensão, nas condições em que o próprio Espírito se colocou por suas ações, no bem ou no mal, durante suas pregressas encarnações.  Afinal, como disseram Jesus e os Espíritos, “a cada um será dado segundo suas obras.” (Mt 16:27, etc., OLE, q. 584-a), respectivamente.

  Para o verdadeiro espírita, não há razão para o temor da morte, lato sensu, de vez que para ele a vida futura é uma realidade e não uma simples hipótese.  A certeza da continuidade, em condições de felicidade ou infelicidade, a depender do modo como vive a sua existência, é reconfortante, pois se a vida continua, a qualidade dela depende do real aproveitamento de cada um.  E os próprios Espíritos vêm dar testemunho dessa verdade...

 

A Filosofia no Divã

Artigo publicado em 14/09/2015

 

  A revista Psychologies publicou recentemente artigo que tinha como título “A Cura pela Filosofia”, enfocando casos em que pessoas haviam sido tratadas de ansiedade e ataques de pânico, com base no estoicismo, o qual lhes devolveu a saúde e a alegria de viver, além de poupá-los dos antidepressivos e tratamentos caros pelo resto de suas vidas.  Mas, o que é o estoicismo?

  Os estóicos formaram uma das escolas socráticas menores, do período tardio da filosofia clássica, ao lado dos epicuristas, dos cínicos, dos céticos e dos ecléticos, e se enfileiraram em torno da moral de Sócrates.  A escola foi fundada por Zenão de Cício, por volta do ano 300 a.C., em Atenas, no chamado Pórtico das Pinturas (Stoá poikíle), e teve como expoentes, entre outros, Sêneca, um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano, no séc. I d.C., o Imperador Marco Aurélio, também ele um intelectual romano, no séc. II d.C., e o escravo frígio Epiteto.

 

  Este último é o protótipo do estóico.  Viveu em Roma, a serviço de Epafrodito, cruel secretário de Nero que, em certa ocasião, para testar a convicção filosófica do seu escravo, resolveu torcer-lhe a perna, a ver até que ponto Epiteto suportaria o suplício.  Na medida em que foi torcendo com mais força, o escravo o advertiu: “Olha que quebras a minha perna, hem!”.  Furioso, o seu senhor fez um movimento mais brusco e de fato quebrou-lhe a perna, ao que Epiteto, sem soltar um único grito de dor, teria sentenciado:  “Eu não falei?”...

  A filosofia estóica está dividida em três partes:  lógica, física e ética, mas o verdadeiro interesse dos estóicos reside na moral.  “Os estóicos são sensualistas”, como diz Julián Marías.  “A percepção imprime marcas profundas na alma humana, formando-se as idéias deste modo.”, complementa o mestre espanhol.  Colocar as coisas em perspectiva, registrar os próprios pensamentos e aceitar as coisas que você não pode mudar são importantes aspectos do estoicismo, diz a matéria publicada.

  Mas, o que gostaríamos de destacar é que usar a filosofia como instrumento da psicoterapia é uma coisa que já vem sendo posta em prática há aproximadamente 20 anos.  Escolas e linhas de pensamento existem muitas.  E os grandes filósofos têm muito a nos ensinar a respeito de nós mesmos e de como enfrentar os nossos problemas à luz da razão.  De fato, os problemas humanos não são novos, embora muitas vezes nos apareçam sob uma roupagem nova.  Por isso, praticamente tudo já passou pelo crivo dos grandes pensadores, que fizeram a História da Filosofia.  A questão é:  como nós interpretamos o pensamento filosófico.  Se do ponto de vista acadêmico, puramente técnico-filosófico, teremos um determinado resultado;  se de um ponto de vista mais livre e embasado na nossa convicção espiritual, outro e maior, com certeza, será o entendimento.

  Pudemos sentir isso quando fazíamos parte do quadro de expositores do Curso de Filosofia Espírita da FEESP, criado pelo saudoso e sábio Prof. Manoel São Marcos.  Nele estudávamos os principais filósofos da Grécia Antiga, de Tales de Mileto a Aristóteles;  depois, passávamos para a Filosofia Moderna, com Descartes, Spinosa, Leibniz, os empiristas ingleses, Kant e Hegel;  e terminávamos o 1º. ano do curso com Bergson e os existencialistas.  O conhecimento das principais idéias desses gigantes do pensamento humano de todas as épocas, no entanto, serviu para que admirássemos ainda mais a Filosofia Espírita, que realça essas idéias e nos dá o mais elevado conceito de Deus, além de nos apresentar o ser, figura exponencial da filosofia tradicional, desde Parmênides de Eléia, que viveu no século VI a.C., na sua real dimensão: a do Espírito.

 

  Dia virá em que aprenderemos a usar o conhecimento espírita no seu sentido terapêutico verdadeiro, conscientizador, libertador, educativo, dispensando os recursos terapêuticos comuns, assim como chegaremos à condição de médicos de nós mesmos.  Nesse dia, saberemos fazer nossa própria anamnese, reconheceremos humildemente as nossas deficiências e aventaremos a possibilidade da auto-cura sem pudor e sem desconfiança (a respeito da nossa própria capacidade de nos curarmos).

 

  Então, descobriremos todo o esplendor da Filosofia Espírita, e mais particularmente a Filosofia do Evangelho, que nos ajuda a usar a razão no seu mais amplo alcance.  Através dela, reconhecemos as nossas tendências, detectamos as nossas fraquezas e passamos ao esforço de nos melhorarmos.  E se hoje, mesmo já tendo optado pelo Espiritismo, ainda procuramos os profissionais da psicoterapia, com sinais evidentes de desequilíbrio espiritual, num futuro não muito distante adquiriremos o hábito da auto-análise e procederemos à auto-cura na intimidade de nós mesmos, à luz dos ensinamentos de Jesus, o maior de todos os filósofos e psicoterapeutas que o mundo já conheceu.

 

 

A mais valia

Artigo publicado em 27/09

 

  Vários livros me encantaram, no meu existir, e alguns nem eram espíritas.  Entre eles, pelo seu voo filosófico, eu citaria Zorba, o Grego, de Nikos Kazantzakis, Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, e O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, pelo que captei de espiritualidade neles. São textos encantadores, que exigem uma certa capacidade de abstração para assimilar-lhes o ‘invisível’, ou seja, aquilo que as próprias palavras em si mesmas não revelam.

  Justamente em O Pequeno Príncipe há uma frase memorável, no seu cap. XXI, no qual o principezinho encontra a raposa e, depois de um longo diálogo, esta lhe diz: “É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...”  Que grande verdade!  Que percepção fina do que é realmente importante...

  O Grande Platão, na sua obra Fédon, descreve um diálogo entre seu Mestre, Sócrates, e dois dos discípulos deste, Cebes e Símias, nos momentos que antecederam a execução da sentença que condenou o sábio à morte, e onde se lê:

 

         “- Ora suponhamos, – dizia Sócrates a Cebes – se te apraz, que

            há duas espécies de realidade: uma, visível e outra, invisível.

         - Suponhamos.

         - E ainda, que a espécie invisível se mantém sempre idêntica a

            si mesma, ao passo que a visível jamais mantém identidade.

         - Suponhamo-lo também.

         - Ora, vê, no homem há duas coisas distintas a considerar: por

            um lado, o corpo, por outro, a alma?

         - Nem mais – respondeu.

         - E com qual das espécies dizemos nós que o corpo mais se

            assemelha e se aparenta?

         - Salta aos olhos de qualquer um  - disse. -  É com a espécie

            visível.

         - E que dizer da alma? Será uma realidade visível ou invisível?    

         - Aos olhos dos homens, pelo menos, não é visível, Sócrates –

            respondeu.

         - Decerto! Nem é preciso dizer que se trata de coisas visíveis

            ou invisíveis à natureza humana!...”

 

  Mas, depois dos magníficos filósofos da Antiguidade Clássica, viria Jesus para imprimir novos contornos ao invisível, o que vem retratado em várias passagens do Evangelho, das quais selecionamos apenas algumas:

 

         Quando, ressuscitado, aparece aos seus apóstolos:

         “Porque me viste, Tomé, creste;  bem-aventurados os que não

         viram e creram.”  (Jo 20:29)

            Quando, ao visitar Marta e Maria, encarece o interesse desta:

         “Mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a

         qual não lhe será tirada.”  (Lc 10:42)

         Quando, no Sermão do Monte, refere-se aos tesouros:

         “Não ajunteis tesouros na terra... mas ajuntai tesouros no céu...”

         (Mt 6:19-20)

 

  E nós, como estamos lidando com o invisível?  Já estamos lhe dando as devidas atenção e importância?  Já estamos procurando ajuntar os tesouros da alma ou continuamos fascinados pela materialidade?  Ou o invisível continua merecendo a nossa indiferença, e até o nosso temor? 

Allan Kardec, o eminente Codificador do Espiritismo, perguntou à plêiade do Espírito de Verdade, “qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal na ordem das coisas?” (p. 85 de O Livro dos Espíritos), e as entidades venerandas responderam: “o mundo espírita: ele preexiste e sobrevive a tudo.”     Portanto, o essencial é o mundo dos Espíritos, que é invisível aos olhos carnais...

  E isso já estava bem visível pelo menos desde o séc. IV a.C., no celebérrimo Mito da Caverna, retratado por Platão em sua obra A República, cap. VII, onde ele ensina que há um mundo sensível (o mundo físico ou material) e um mundo inteligível (o mundo das ideias, o mundo espiritual da revelação espírita):  enquanto o primeiro é o mundo do aprisionamento, das sombras ou das aparências, da materialidade, enfim, o segundo é o mundo da liberdade, o mundo real ou da verdade, da espiritualidade, sem sombra de dúvidas, de onde vêm as almas para encarnar num corpo, para cumprir mais uma de suas encarnações, no mundo visível, numa existência temporária e curta, para dar ainda mais importância ao invisível...

Que primeiro mundo é esse?

 

  O jornal The Times, de 06 de março de 2009, noticiou, em matéria de capa, que um casal britânico, da localidade de Bath, ele de 80 anos, ela, 70, ricos, cometeu suicídio assistido, numa clínica suíça, depois de fazer um pacto de morte, ao descobrir serem ambos portadores de câncer em estado terminal.  E esse é um fato cada vez mais frequente na Comunidade Européia, na medida em que as leis suíças autorizam esse procedimento e clínicas são montadas para essa finalidade.  A mais famosa delas chama-se “Dignitas” e tem recebido repetidamente pacientes estrangeiros de diferentes localidades.

  Em setembro de 2008, um jovem de 23 anos, integrante de uma equipe inglesa de rugby, compareceu àquela clínica para pôr fim à sua vida, depois de oito meses de tratamento, sem sucesso, com vistas à sua reabilitação, desde que ele sofreu uma luxação na coluna vertebral durante um treinamento, quando um grupo de jogadores desabou sobre ele, num lance muito comum do jogo de rugby, um dos esportes preferidos dos ingleses, ao lado do futebol e do cricket, e o segundo esporte por equipes mais popular do mundo hoje em dia.  A edição do The Times, de 18 de outubro daquele mesmo ano, que noticiou o fato, dizia que mais de 100 cidadãos da Grã-Bretanha já tinham viajado para a Suíça para morrer, sendo a maioria deles em estágios finais de doenças terminais.

  A clínica em questão  - a Dignitas -  é especializada em eutanásia e os portadores de doenças físicas e mentais graves ali são assistidos por médicos e enfermeiros, que ministram overdoses letais de medicamentos para serem ingeridos.  Nos pés da cama é colocada uma câmara de vídeo, que registra cada momento do processo suicida, para mostrar à autoridade policial suíça que tudo ocorreu de acordo com a vontade do paciente, consciente no momento da ingestão da dose mortal de remédio.

 

  Consta que mais de 60% dos atendidos pela clínica são alemães.  Mas, muitos procuram a clínica para contratar um seguro apenas,  para o caso de sua doença tornar-se intolerável, e nunca retornam à clínica.  Com isso, ela possui um corpo imenso de membros, a maioria dos quais alemães, suíços e britânicos, pela ordem quantitativa, além de cidadãos de outros países europeus.  Atualmente é muito comum a prática do turismo suicida naquela localidade, à sombra dos Alpes.

  Enquanto isso, na Alemanha, um político, ex-senador e advogado, verificando que a maior parte daqueles que procuraram a Dignitas ultimamente eram seus compatriotas, criou u’a máquina que pode ser acionada por qualquer pessoa que procure pôr fim à sua vida, e deu assistência a uma senhora de 79 anos, que vivia sozinha e temia ter que terminar seus dias em um lar de idosos, com o intuito de sensibilizar os legisladores e mudar as leis germânicas, evitando que pessoas precisassem viajar para a Suíça com tal objetivo.  Ele explicou, ainda, em reportagem do The Times, de 02 de julho último, que a “assistência ao suicídio” não é propriamente um crime e uma pessoa pode, por exemplo, comprar uma corda para um parente ou amigo que tenha manifestado a intenção de por fim à vida.

  As leis britânicas não autorizam esse tipo de procedimento, e punem os parentes que colaboram com os doentes para que atinjam um tal objetivo.  Todavia, o The Sunday Times, do último dia 08, noticiou que nos consultórios médicos, do serviço público de saúde, pessoas com doenças terminais, recebem sugestões para se recusar a ingerir alimentos ou líquidos, para morrer de fome ou desidratação, se elas não puderem viajar para a Suíça.     Mas, quando podem viajar, os parentes acompanham discretamente o doente até aquela clínica, pagam todas as taxas necessárias, e retornam para casa sem dar declarações comprometedoras.  Quando muito, falam apenas do sofrimento causado pela doença em si e da coragem do parente, seja ele ascendente ou descendente, em buscar aquela saída, já que a eutanásia é considerada a morte com dignidade (daí o nome da clínica, naturalmente).  Coragem?  Morte digna?  O que sabemos a respeito?...

 

  No caso do jovem jogador de rugby   - na Escócia, seis jovens estudantes, com idades abaixo de 18 anos, praticantes de rugby, sofreram acidentes semelhantes desde 2006 -  ele encarava sua situação como uma “existência de segunda classe”, segundo seus pais, que dizem que o tratamento hospitalar recebido por seu filho, logo após o acidente desportivo, foi o principal responsável pelo agravamento da lesão do jovem.  E as queixas contra o sistema de saúde aqui avolumam-se a cada dia.  A mãe do rapaz declarou ao jornal The Sunday Times (a edição de domingo do The Times) que a sua morte foi “sem dúvida, uma libertação bem-vinda da prisão em que ele sentia que seu corpo tinha se tornado”.

  Enfim, tudo isso é muito lamentável e triste, além de revelar quão materialista ainda é a visão do homem nesta parte do mundo, dito o mais civilizado de todos os continentes do Planeta.  Na medida em que aumenta o grau de espiritualização de um certo número de irmãos nossos por aqui, a maior parte continua “dormindo” para as coisas do Espírito.  Já temos o movimento espírita em quase todos os países europeus, trazendo o consolo, a esperança, a explicação sobre por que e para que sofremos, sobre a justiça divina, a imortalidade da alma, a vida futura e os recursos que tem o homem para combater o materialismo.

  No entanto, a maior parte dos nossos irmãos, nesta Europa palpitante de vida  - onde encontramos imigrantes de todas as partes do mundo, onde nasceram nossos ancestrais, onde se concentra boa, senão a maior, parte da riqueza planetária -  ainda não despertou para a possibilidade de uma vida mais saudável e feliz, que vem com o conhecimento da realidade espiritual, o que nos faz lembrar a assertiva do Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Efésios (5:14):  “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.”  O ensinamento, aliás, vale para todos nós, mormente para aqueles que entraram no Espiritismo, mas o Espiritismo não entrou neles, ainda.

 

 

Ciência e Religião

Artigo publicado em 22/11/2015

 

  A Revista Veja trouxe, na semana passada, um artigo intitulado: “Qual é a origem da fé?”, considerando que “novos estudos de psicologia desvendam os mecanismos que levam algumas pessoas a crer mais que outras. Os intuitivos costumam ser mais religiosos que os reflexivos”.  A matéria tenta mostrar a origem da divergência entre a ciência e a religião e como elas vêm se reaproximando pouco a pouco.

  A religião precede a ciência em termos de antiguidade pois surge nas sociedades tribais do período pré-histórico e se estende aos estados teocráticos dos primeiros tempos do período histórico.  A ciência, enquanto revelação das leis do mundo material, surge já no período tardio das primeiras civilizações, com Aristóteles, na Grécia Antiga, séc. IV a.C.  Mas, com o advento do Cristianismo e sua consolidação, a Igreja passou a controlar o pensamento humano além das produções e descobertas da ciência, pelo desejo de manter seus dogmas e postulados filosóficos.

  No séc. XVI abre-se uma fratura nesse ilegítimo controle, com as descobertas de notáveis astrônomos como Nicolau Copérnico, Tycho Brae e Johannes Kepler, destacando-se o primeiro, que mudou nossa ideia sobre a posição da Terra no Universo, revelando que ela gira em torno do Sol, e não este em torno dela.  No séc. XVIII, o Iluminismo na Europa e a Revolução Francesa conseguem pôr um fim ao domínio religioso e libertam o pensamento humano desse jugo.  A ciência assume o seu verdadeiro papel e desenvolve-se em diferentes segmentos.  Com a teoria da evolução de Charles Darwin, em 1859, o criacionismo perde sua força e a ciência atira a última pá de cal sobre o predomínio religioso, seguindo seu próprio caminho.

  No séc. XX, a ação de alguns papas, como Pio XII e João Paulo II, começa a árdua tarefa de reaproximar a fé da razão, a religião da filosofia, e consequentemente a religião da ciência, considerando a importância do uso da razão para o progresso da Humanidade. Inclusive, na Carta Encíclica “Fides et Ratio”, que versa sobre as relações entre fé e razão, como seu próprio nome diz, o Papa João Paulo II assim se expressa:   “A Revelação, com os seus conteúdos, não poderá nunca humilhar a razão nas suas descobertas e na sua legítima autonomia; a razão, por sua vez, não deverá perder nunca a sua capacidade de interrogar-se e de interrogar, consciente de não poder arvorar-se em valor absoluto e exclusivo.”

  Segundo o artigo da revista, o Papa Francisco, ao se pronunciar diante de 80 pesquisadores de vários países que compõem a tradicional Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, ‘soltou uma das frases mais bombásticas de seu pontificado’, que seria:  “Quando lemos no Gênesis sobre a criação, corremos o risco de imaginar que Deus tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas. Mas não é assim. O Big Bang, que hoje temos como a origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora, mas a exige. A evolução na natureza não é incompatível com a noção de criação, pois a evolução exige a criação de seres que evoluem.”  Uma maravilha da hermenêutica papal.

  Completo, então, com a exegese espírita, exposta por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, item 8, que diz:  “A Ciência e a Religião são as duas alavancas da Inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a outra as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se...  A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal...”  E aqui entra o papel do Espiritismo como a Terceira Revelação, que vem esclarecer e confortar os homens.

 

Assim seja!

As palavras de Jesus

 

  As palavras de Jesus, quer no âmbito religioso, quer no campo dos estudos teológicos, quer na esfera jornalística ou literária, quer ainda no círculo social, continuam gerando polêmicas devido à incapacidade dessas áreas humanas de compreender precisamente aquilo que ele ensinou, até porque se prescinde aí do sentido puramente espiritual das suas palavras.

  Ainda de acordo com a Revista Veja citada no artigo anterior, “não há como explicar o inexplicável, o misterioso, possivelmente porque Deus talvez seja mesmo um conceito pelo qual medimos e aplacamos a nossa dor”.  Esse pensamento marca a continuidade do conceito de um Deus severo, punitivo, que envia seus filhos para o mundo, para “este vale de lágrimas”, para sofrer.  Isso subverte o principal ensinamento de Jesus de que Deus é um Pai para ser amado e não para ser temido, como entendia Moisés.

  Mas, o artigo continua:  “Lembre-se aqui o momento bíblico em que Jesus, no auge do sofrimento físico e psicológico pergunta a Deus: “Por que me abandonaste?” Cristo morreu sem resposta para a sua incerteza.”  Afirmação de quem desconhece o texto bíblico, que engloba o Velho e o Novo Testamentos, e acredita piamente que Jesus estava sofrendo física e psicologicamente e se queixando do abandono divino.  Ora, nesse momento Jesus estava apenas repetindo as palavras proféticas contidas no Livro de Salmos, 22:1, ratificando ainda uma vez a sua condição do Messias esperado. Ademais, ele jamais ‘morreria’ sem resposta, desde que ele mesmo afirmou: “Eu e o Pai somos um.” (Jo ), pois a resposta de Deus aos nossos questionamentos existenciais mais profundos é o próprio Cristo.

  Ao concluir sua peça jornalística, a articulista diz:  “Mas em sua última frase, dita ainda na cruz, retomou a força brutal da fé: “Nas tuas mãos eu entrego meu espírito.”  Jesus Cristo entregou tudo o que tinha a Deus.  Até mesmo sua racionalidade.” (“sic”).  Fico penalizado quando me deparo com pessoas baldas do mínimo conhecimento das coisas sobre que falam ou escrevem.  E penso mesmo que não deveríamos escrever sobre certos assuntos sem antes fazer uma breve pesquisa sobre aquilo que se quer dizer, sob pena de desinformarmos o leitor, que não tem culpa da nossa ignorância.

  Esse fato me faz lembrar as sábias palavras do Espírito de Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, n. 5, que nos diz:  “Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento;  instruí-vos, eis o segundo”.  Trata-se de uma contundente exortação ao estudo e ao aprendizado, que se aplica não só, mas também, ao espírita como a todo ser humano, de qualquer quadrante do globo, de qualquer cultura, de qualquer origem, de qualquer religião, sob pena de continuarmos assistindo ao dantesco espetáculo da má interpretação da realidade e da má aplicação do conhecimento existente.

  Voltando ao texto da revista, acima citado, para finalizar, ao dizer “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30), Jesus dava testemunho da sua perfeita sintonia com o pensamento de Deus, Inteligência Suprema do Universo.  Por isso, não precisou entregar ao Pai, na hora suprema, “tudo que tinha”, nem mesmo “sua racionalidade”, como pretende a articulista.  Apenas deixou seu corpo material na Terra para retornar à morada celestial de onde viera, íntegro, puro, imaculado, soberano...  confirmando suas próprias palavras:  “Eu venci o mundo!”.  Longe de ser, portanto, o “derrotado” que o tal artigo pretende retratar, e que os crucifixos criados pela igreja romana sempre mostraram, ele foi o grande vencedor afinal.

Muita luz e paz a todos!  

Quakers Meeting House, 59 Wandsworth High Street, London SW18 2PT, UK

©2020 by wThrive Web Solutions - All rights reserved.

www.wearewthrive.co.uk